sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Portugal defende compromisso vinculativo com os maiores poluidores

A Ministra do Ambiente, Assunção Cristas, defendeu no plenário da cimeira climática COP17, um compromisso urgente, abrangente e vinculativo sobre alterações climáticas que inclua muitos Estados, nomeadamente os que são os maiores poluidores.
Assunção Cristas, que se dirigiu ao Plenário em português, salientou a importância dada por Portugal ao esforço feito para "agregar uma posição conjunta de Portugal e dos países de língua oficial portuguesa (CPLP) na questão das emissões de carbono e de uma política de proteção ambiental.
Em declarações à Lusa, após a sua alocução, a ministra do Ambiente colocou a tónica na necessidade de "um consenso alargado que permita que de Durban possa sair um roteiro de ação até 2015 para que nessa altura exista um instrumento vinculativo para todos os Estados-membros".
Confrontada com os sinais pouco otimistas que têm sido dados pelos negociadores na COP17, sobre a possibilidade de nesta cimeira serem assumidos compromissos para além do prazo-limite do Protocolo de Quioto, Assunção Cristas ripostou: "Veremos, mas de qualquer forma teremos de manter essa expetativa".
Para a ministra, a expetativa exige que se trabalhe em duas frentes, por um lado no Protocolo de Quioto e por outro a convenção do clima.
"Sobretudo é necessário que saia daqui um roteiro muito claro de uma ação para 2015, porque de outra maneira não conseguiremos atingir os objetivos", disse."Como é sabido o Protocolo de Quioto vincula apenas alguns Estados. Neste momento não faz sentido ficarmos só por aí
porque os maiores poluidores estão fora do Protocolo de Quioto", referiu.
Segundo a governante, "é preciso trazer para dentro do diálogo e do compromisso aqueles que são hoje os maiores poluidores mundiais", recordando que a União Europeia representa apenas 11 por cento das emissões de gases com efeito de estufa.
Assunção Cristas aponta a China, não-vinculada ao Protocolo por estar em vias de desenvolvimento, e os EUA, de fora porque nunca o retificou, como exemplos de países que, por razões semelhantes ou diversas, deverão fazer parte do processo de compromisso.
"Por isso dizemos que é preciso olhar para a convenção e para o Protocolo na sua globalidade e ter um roteiro de ação pós-Protocolo. Um segundo Quioto será sempre algo, a nosso ver, transitório, um passo para abarcar mais Estados", concluiu Assunção Cristas.
Após a alocução da ministra no plenário de alto nível da COP17, a Quercus elogiou a mensagem do governo português, considerando-a "quase perfeita".
A reação da Quercus, transmitida pelo seu vice-presidente Francisco Ferreira, refere que "para ter sido perfeita, faltou apenas mencionar a vontade de querer ir mais além do que o compromisso de redução de 20% das emissões de gases com efeito de estufa a nível europeu entre 1990 e 2020, que não é consistente com a exigência da Conferência de Bali, que menciona 25 a 40 por cento, e de Portugal poder trabalhar ativamente nesse sentido".
A Quercus elogia o facto de Assunção Cristas se ter dirigido ao Plenário em português, por ter sido, entre vários ministros europeus, "aquela que reafirmou os pontos estratégicos comuns à UE de forma mais direta e explícita", pela justeza das suas posições, designadamente estabelecendo uma relação direta entre a paz e as alterações climáticas.
Congratulou-se também por ter reafirmado que Portugal conseguirá cumprir as suas metas do Protocolo de Quioto e se compromete, apesar das dificuldades, com 36 milhões de euros entre 2010 e 2012 para a ajuda ao desenvolvimento.

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